Com uma recente decisão controversa de uma mãe latino-americana que
doou os órgãos de sua filha, um proeminente pastor de uma das
maiores megaigrejas hispânicas nos Estados Unidos falou sobre o tema
doação de órgãos para o The Christian Post nesta quarta-feira (30).
Dr. Gilberto Velez da Igreja Cristiana Misericórdia no Texas, EUA,
comentou sobre a polemica divulgada pela Agencia de Noticias Reuters
nesta segunda-feira, causada quando Norma Garcia decidiu doar os órgãos
da filha após ter sido declarada clinicamente morta pelos médicos. Seus
pais, que são provenientes do México, questionaram a sua atitude e
manifestaram a sua indignação e repulsa em relação à isso, o que pôs em
prova a sua identidade cultural e fé cristã.
“A maioria da minha família tinha uma crença de que “Como você pôde
fazer isso? Como você pode permitir que ela seja mutilada? Como você
pode deixá-los tirar o seu coração?’” disse Norma Garcia, uma agente
imobiliária de acordo com a Reuters.
Para especialistas em doação de órgãos, hispânicos têm menor
probabilidade de doar do que os norte-americanos como um todo, alegando
que sua religião não lhes permite fazê-lo.
“Nós encontramos que a comunidade hispânica nos diz: ‘Minha religião
diz para não doar,’ e ‘eu não posso ter um caixão aberto porque o corpo
será danificado’,” disse Esmeralda Pereira do Organ Sharing Alliance do
Texas, de acordo com a Reuters. “Eles sentem que seu ente querido será
desfigurado, ou a pessoa não será capaz de entrar no céu porque seu
corpo não vai estar inteiro.”
Mas Velez, que é também o Presidente do Conselho da Conferência
Nacional Liderança Cristã para os Hispânicos (NHCLC), afirmou que “não
há evidência bíblica que proíba esta prática.”
“Quando há setores evangélicos que expressam oposição a doação dos
órgãos, eles fazem isso porque a maioria deles se baseiam na
interpretação de algumas partes das Escrituras, onde fala sobre os
templos do Espírito Santo e que nós temos que cuidar do nosso corpo. Mas
esta é uma questão de interpretação, não é que a Escritura diz que é
proibido.”
Um proeminente teólogo católico Rev. John Leies disse que a Igreja
está trabalhando para convencer o crente de que a doação de órgãos não
torna impróprio para o corpo pós-morte.
“A Igreja está consciente de que existem tantas pessoas à espera de
órgãos, e não há o suficiente para ser entregue e as pessoas morrem sem
receber seus órgãos,” disse ele. E ele descobriu que “é difícil lutar
contra essas idéias culturais, e talvez a Igreja não tem feito um
esforço suficientemente bom.”
Para a Igreja Evangélica, Velez explicou que é difícil falar em nome
de todos os evangélicos, porque existem diferentes denominações com
pontos de vistas diferentes. No entanto, ele disse que, em geral, “a
maioria das pessoas evangélicas não se opõem à doação de órgãos.”
“Nós não somos contra isso, nós não promovemos, mas nós não condenamos tais práticas. Nós deixamos a pessoa decidir,” disse ele.
Talvez, diz o Velez, pode haver algumas facções dentro do movimento
evangélico, especialmente dentro dos movimentos independentes, que não
estão sob o controle das denominações tradicionais, como a Assembléia de
Deus, Batistas, Metodistas, etc, que têm seu próprio ponto de vista.
Dr. Velez acredita que existe um “apoio e pleno reconhecimento da importância da doação de órgãos para a saúde das pessoas.”
Para esclarecer esta questão às pessoas religiosas, Velez recomendou
altamente os povos latino-americanos a buscar a orientação de seus
líderes, notícias, revistas e outras publicações ou outras organizações
cristãs.
Segundo ele, organizações como NHCLC dedicam-se a difundir a
consciência dentro do Povo hispânico cristão sobre esse tipo de assunto e
outros que são importantes para Comunidade Evangélica Hispânica.
“Este é o nosso trabalho: Educação e orientação.”
Fonte: The Christian Post. Tradução de Márcia de Barros
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